Nesta quinta-feira (2), Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, a história de um estudante do Paraná ajuda a dar visibilidade aos desafios e às potencialidades de cerca de 17 mil alunos da rede estadual diagnosticados com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Aos 13 anos, João Victor Pacheco da Silva, aluno da Escola Estadual Léa Germana Monteiro, em Guaratuba, no Litoral do Estado, transformou sua vivência em palavras no livro “Rompendo a teia do silêncio”, publicado em formato digital com apoio de entidades filantrópicas.
Nascido prematuro, João apresentou atraso para andar e falar, além de não responder quando era chamado e se incomodar com ambientes barulhentos. Após consultas e exames, recebeu o diagnóstico de autismo. Com o tempo, desenvolveu formas de se expressar melhor e compreender seus sentimentos.
“TEA é uma forma diferente de ver e sentir o mundo. Pessoas autistas podem ter dificuldades para falar, brincar com outras crianças ou entender sentimentos, mas também podem ter talentos especiais e jeitos únicos de aprender”, escreve o estudante no livro.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destaca a importância de dar visibilidade às histórias. “É fundamental garantir que nossos estudantes sejam ouvidos, respeitados e tenham espaço para se expressar. Trabalhamos para uma educação inclusiva, que valoriza as diferenças e reconhece o potencial de cada aluno”, afirma.
Relato pessoal e superação
Desenvolvido com apoio da equipe pedagógica da escola, o livro reúne vivências marcantes da trajetória de João, escritas no seu próprio tempo e respeitando seu processo de desenvolvimento.
Segundo a diretora da unidade, Sofia Dias, o interesse do aluno por leitura e escrita impulsionou o projeto. “A escola observou e respeitou o tempo do João antes de incentivá-lo, oferecendo acompanhamento cuidadoso e devolutivas sobre seus textos”, explica.
Na obra, o estudante compartilha momentos desafiadores, como a separação dos pais e suas primeiras percepções do mundo. “Era como se o mundo girasse rápido demais para mim”, relata.
Ele também aborda as dificuldades iniciais. “Eu não falava, não olhava nos olhos, não respondia quando me chamavam. Era como se eu estivesse preso dentro de mim mesmo. Depois de muitas consultas e exames, veio o diagnóstico: autismo.”
Apesar dos desafios, João afirma que escreveu o livro para ampliar a compreensão sobre o tema e mostrar que o autismo não é uma escolha.
Para a mãe, Renilda Pacheco de Oliveira, a conquista representa um novo olhar. “Espero que outras famílias se inspirem e entendam que o universo do autista é cheio de cor, superação e possibilidades. Eles podem, têm capacidade e vão conquistar seu espaço.”
Mensagem de esperança
Ao final do livro, João deixa uma mensagem de incentivo: “Se você está passando por dias difíceis, saiba que não está sozinho”. Ele destaca que a fé e o apoio da família foram fundamentais em sua trajetória.
“Hoje eu vivo feliz. O amor muda tudo, a fé transforma e o impossível é apenas um desafio”, escreve.
Data reforça inclusão
O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 2007. A data busca ampliar o conhecimento sobre o TEA, combater o preconceito e promover a inclusão, destacando a importância de políticas públicas e suporte adequado às pessoas autistas.
